Métodos Comportamentais em Ecologia Química

HISTÓRIA E CONCEITOS BÁSICOS EM ECOLOGIA QUÍMICA E COMPORTAMENTO

Quatro pioneiros do estudo do comportamento:
  1. Darwin
  2. J. Henri Fabre
  3. C. Lloyd Morgan
  4. Ivan Pavlov

Outros eminentes estudiosos do comportamento:

  • Karl von Fish
  • Theodore C. Schneirla
  • Donald R. Griffin
  • Adolf Buternandt
  • Edward O. Wilson
  • Thomas Eisner

COMPORTAMENTO E ECOLOGIA QUÍMICA

Comportamento é toda atividade (com ou sem movimento) exercida por um organismo em seu ambiente.

O estímiulo sensorial é quase sempre o ponto de partida para compreensão do comportamento.

Órgãos do sentido nos insetos:

  • visão: olhos compostos; ocelos; omatídeos;
  • audição: órgãos estridulatórios (patas; abdome);
  • tato: pelos; sensilas etc;
  • olfato: antenas; sensilas; pelos etc;
  • paladar: probíscide; pelos; sensilas gustativas.

COMPORTAMENTO E SUA AÇÃO

A relação de custo-benefício

Nem sempre um animal faz o uso de todas as informações fornecidas pelos órgãos dos sentidos - organismos tendem a economizar gasto energético; utilizam os sentidos de forma otimizada.

A utilização de um ou mais sentidos depende da atividade que o organismo está exercendo num determinado momento.

Um fator importante é a motivação do animal influenciado pelo ambiente ao seu redor e por seu estado fisiológico (ex.: maduro x imaturo).

A resposta de um animal a um estímulo não significa que seja uma decisão consciente, mas que a escolha influenciará sua sobrevivência e sucesso reprodutivo (seleção natural).

Existe um gradiente de resposta pelos indivíduos de uma mesma espécie.

OS ORGANISMOS E O MUNDO AO SEU REDOR


O MECANISMO DO COMPORTAMENTO

O comportamento não é governado exclusivamente por estímulos; depende também da capacidade inata do indivíduo ou espécie. Ex.: Trichogramma sp. já nasce sabendo parasitar.

O comportamento de um animal pode ser aprimorado (processo de aprendizagem) pelo mesmo.

O QUE É COMUNICAÇÃO?

Uma ação de um organismo, que altera o padrão de comportamento de outro organismo.

  
Formas de comunicação dos insetos:

  • Sonoras - ex.: cigarrinhas; grilos;
  • Visual - ex.: vagalume;
  • Tátil - ex.: formigas; plecoptera;
  • Química - ex.: mariposas; parasitóides; formigas etc. (maioria dos insetos).

Taxonomia

PRINCÍPIO DA PRIORIDADE

Entre os nomes propostos para uma espécie ou gênero, o nome mais antigo é o válido.

As espécies  do(s) gênero(s) mais recente(s) são transferidas para o gênero mais antigo.

O Princípio da Prioridade deve ser aplicado ou o nome mais antigo deve ser conservado quando:
 
  • uma parte qualquer de um animal foi denominada antes do próprio animal;
  • uma fase do ciclo biológico foi denominado antes da fase adulta;
  • ambos os sexos de uma espécie foram considerados espécies ou gêneros diferentes;
  • gerações diferentes de uma espécie foram considerados espécies ou gêneros distintos (ex.: alados de pulgão);

Quando dois ou mais gêneros forem reunidos em um único, o nome válido é o do gênero mais antigo, por exemplo, aquele descrito e publicado antes dos demais.

Uma vez publicado, se o nome científico estiver de acordo com o Código Internacional de Nomenclatura Zoológica (CINZ), não poderá ser rejeitado nem pelo próprio autor, por impropriedade (incoerência gramatical) ou por tautonomia (quando o gênero é igual ao da espécie).

Data da Publicação

  • data especificada = dia/mês/ano;
  • data incompleta = primeiro dia comprovado (ex.: mês/ano - sem dia comprovado) - se mês e ano, considera-se último dia do mês; se ano, considera-se o último dia do ano;
  • data incorreta = aceita-se a primeira data comprovada;
  • data não especificada = prova externa (ex.:citação em outro trabalho);
  • data de trabalho em partes = se publicado em dias diferentes, cada parte é considerada em separado;

Recomendação 10A. Responsabilidade dos editores. Um editor deveria assegurar que toda descrição e ilustração de um novo táxon (refere-se a um nome de espécie ou gênero) e, particularmente, quaisquer atos de nomenclatura ou dados necessários para conferir validade a esse nome, estejam no mesmo trabalho e na mesma data.

  • série de datas = várias datas em um trabalho; considera-se o último dia da série se comprovada que uma série foi publicada antes (a data da parte do trabalho será aquela comprovada).

PUBLICAÇÃO DE NOMES CIENTÍFICOS

Nome científico tem que ser de domínio público.

  • domínio público;
  • passíveis de aquisição e reprodução;
  • em papel e tinta que garantam a preservação.

Não são considerados válidos os nomes publicados após 1950, se:

  • artigo anônimo;
  • artigo só com as iniciais do autor;
  • separatas disribuídas antes da publicação formal.

Recomendação 13A. Intenção para diferenciar. Quando descrever um novo nominal táxon, um autor deve deixar seu propósito para difereciar o táxon, incluindo uma diagnose, ou seja, um sumário dos caracteres que diferencie o novo nominal táxon dos relacionados ou dos táxons similares.

Ex.: Diagnose. Erythropterus urucuri sp. n. destingue-se de E. amabilis Melzer, 1934 pela fronte avermelhada; pelo pronoto avermelhado e com pontuação...

MUDANÇA DE NOMES CIENTÍFICOS

Transferência de Espécie de Gênero

  • gênero heterogêneo: dividido em vários gêneros (até novo gênero)
  • erro: a espécie é colocada erradamente no gênero
  • sinônimo: dois gêneros tornam-se sinônimos

Nova combinação - nome do autor da espécie entre parênteses - n. comb. ou comb. n. após o nome da espécie. A abreviação é usada somente no trabalho onde a nova combinação é estabelecida e nunca mais.

Ex.: Palpibracus valvidiensis Pamplona & Couri, 2000 - Soares & Carvalho transferem a espécie para o gênero Brachygasterina - Brachygasterina valvidiensis (Pamplona & Couri, 2000) n. bomb. 

Homônimos (Homonimia)

Espécies com nomes iguais em um mesmo gênero - espécie descrita mais recentemente - Novo Nome (n. nom. ou nom. n.) - só pelo autor original no trabalho original - quem propõe o novo nome fica autor da espécie.

Um nome genérico é rejeitado como homônimo (pré-ocupado), quando já foi empregado para qualquer outro gênero do Reino Animal. Ex.:

Mollusca - Plagiotoma Dujardin, 1841
Insecta - Plagiotoma Loew, 1873

Coquillett (1910) descobre a homonomia e propõe o novo nome (n. nom.) Termoplagia e passa a ser autor do gênero:

Termoplagia Coquillett, 1910 

Sinônimo (Sinonímia)

Uma mesma espécie recebeu dois ou mais nomes - nome(s) mais recente(s) é (são) sinônimo(s) - n. syn. ou syn. n. (autor original no trabalho original).

O autor de uma espécie colocada em sinonímia continua sendo autor da espécie. Ex.:

Anastrepha longicauda Lima, 1934
Anastrepha hendeliana Lima, 1934

Zucchi (1981): A. longicauda = A. hendeliana ambas publicadas no mesmo ano e trabalho!

Nome Válido: A. longicauda Lima, 1934
Sinônimo: A. hendeliana Lima, 1934

Por que? Princípio da Prioridade. Como?

Numeração da página:

- A. longicauda - 1934:525
- A. hendeliana - 1934:528

No trabalho original: A. hendeliana Lima, 1934 n. syn. 

Sinônimos. Nome do gênero ou da espécie publicados posteriormente ao nome válido (mais antigo). 

Sinônimo senior =  nome válido
Sinônimo(s) junior(es) = nome(s) inválido(s)

No trabalho original:

Anastrepha minensis Lima, 1937 stat. nov.
Anastrepha silvai minensis Lima, 1937:60, fig.2 (variedade)
Anastrepha extensa stone, 1942:104, fig.4 syn. n.

DESCRIÇÃO DE NOVA ESPÉCIE OU OUTRO GRUPO

Quando uma nova espécie ou outro grupo é descrito, o autor deve designar um tipo.

gênero-tipo - família
espécie-tipo - gênero
tipo - espécie

Tipos. Exemplares nos quais foram  baseadas as descrições de novas espécies ou grupos - referência se houver dúvida sobre o que a espécie ou grupo incluem. 

Topos - Código (Glossário)

Holótipo. Exemplar único designado ou de outro modo fixado como tipo portador do nome de uma espécie nominal ou subespécies quando o táxon nominal é estabelecido. Obs.: usam etiqueta vermelha. 

Holótipo ("Tipo"). Especimen único designado ou indicado como tipo (padrão) pelo autor original na descrição original da espécie ou subespécie. 

Ex.: Na descrição original: 

Holótipo ♀, Brasil, Paraná: Ponta Grossa, 5.I. 1988, A.P.Silva leg. (MZUSP) - esta última anotação entre parênteses indica o local onde o especimen está guardado. Neste exemplo, Museu de Zoologia da USP. 

Parátipo. Cada especimen de uma série-tipo, que não o holótipo [Recomendação 73D]. 

Parátipo. Outro(s) exemplar(es), que não o holótipo, citado(s) pelo autor original quando da descrição da espécie.

Na descrição original:

Holótipo ♀, Brasil,...(MZUSP). Parátipos. Ibidem, 23 12 , 30.X. 1990. São Paulo, Itu, 1 , 9.V. 1973, C. Almeida leg. (DZUSP). 

Síntipos. Cada especimen de uma série-tipo, dos quais nem um holótipo nem um lectótipo foi designado. Os síntipos coletivamente constituem o tipo portador de nome. 

Lectótipo. Um síntipo designado como especimen tipo portador do nome subsequente ao estabelecimento da espécie ou subespécie nominal. 

Paralectótipo. Cada especimen de uma série de síntipos remanescentes após a designação do lectótipo.

No trabalho original:

Entre os síntipos (3 2 ), 1 foi designado e rotulado como lectótipo. 

Neótipo. Um único exemplar designado como tipo portador do nome de uma espécie ou subespécie nominal quando há necessidade de definir o táxon nominal objetivamente e nenhum tipo portador do nome é existente (holótipo, lectótipo etc). 

Trichogramma pretiosum Riley, 1879 - tipo está perdido - Pinho et al. (1978) - designação de neótipo.

No trabalho original:

Informação do tipo. Material-tipo original coletado próximo de Selma Alabama, em ovos de Alabama argillacea, não existe mais. Neótipo , de cultura original coletada perto de Selma, em ovos de Helicoverpa zea... 

Nomen Nudum (Nomina Nuda) - Nome Nulo

Nome publicado antes da publicação formal da desrição da espécie.

O nomen nudum não é um nome válido e, portanto, o mesmo nome pode se tornar disponível depois para um conceito semelhante ou não. Assim, a autoria e data é aquela do ato do estabelecimento e não aquela de qualquer publicação mais recente como um nomen nudum. 

Nomen Dubium (Nominia Dubia) - Nome Duvidoso

Nome de aplicação desconhecida ou duvidosa. 

Nomen Oblitum (Nominia Oblita) - "Nome Esquecido"

Nome que não leva precedência sobre nome mais recente de sinônimo ou homônimo em uso prevalente; os nomes mais recentes em prevalência sobre o nomen oblitum podem ser chamados de nomen protectum. 

Nomen Protectum - "Nome Protegido"

Aplicado para um nome para o qual tem sido dada precedência sobre seu sinônimo senior ou homônimo senior, que não são usados e relegados ao status de nomen oblitum.

MODO DE INFORMAR IDENTIFICAÇÕES

Musca domestica L. - Espécie conhecida.

Musca (Musca) domestica L. - Quando o subgênero é indicado.

"Musca" cyanea Mueller - Espécie conhecida. Epítelo específico correto.Combinação incorreta, mas reflete a literatura atual. Combinação correta e nome genérico não disponível.

Musca "domestica L." - Espécie conhecida. Epítelo específico incorreto, mas reflete a literatura atual. Nome específico correto não disponível.

Musca sp. n. - Espécie não descrita (em geral, sem especificação).

Musca sp. n. aff. domestica L. - Espécie não descrita (quando o taxonomista tem trabalhado no grupo sabe que a espécie não foi descrita, mas não tem plano para descrevê-la. [aff. = affinis, próximo mas não idêntico; próximo; nr].

Musca sp. n. Smith no.1,a - Espécie não descrita (a nova espécie faz parte de trabalho em andamento; o nome do especialista que está fazendo o trabalho é citado para referência).

Musca sp. not domestica L. - Quando a identidade com uma determinada espécie é tudo o que é solicitado ou necessitado e a identificação específica, senão daquela espécie, não é solicitado.

Musca sp. 1,2,3... - Várias espécies estão na amostra, mas a identificação específica não é dada.

Musca sp. aff. ou próx. domestica L. - Identificação específica incerta, mas provavelmente é espécie conhecida (nr - near, próximo)

Musca domestica complexo ou grupo - A espécie pertence a um complexo ou grupo de táxons não reconhecíveis pelos métodos comuns.

Musca sp. "fêmur vermelho" - Espécie tentativamente classificada, mas não identificada (normalmente usada quando o taxonomista está trabalhando com o gênero).

Muscidae, poss. (ou próx.) Musca - Gênero incerto, mas semelhante a um gênero conhecido (autor do gênero não é citado para evitar confusão).

Musca (senso lato, senso Linaeus etc.) - Gênero incerto, não atribuído para qualquer táxon limitado ou duvidoso; usado no sentido amplo ou de um autor.

Muscidae, gênero não reconhecido - Gênero não foi identificado.

Diptera Cyclorrapha. Muscoidea Brachycera, prov. Muscidae; family próxima a Muscidae - Categoria mais alta ou provável táxon determinado.

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